30 agosto 2010

Aniversário de profissão: Jornalista!

E lá se vão dois anos de formado! Pois é, o tempo passa rápido e rasteiro. Há dois anos estava eu cheio de inseguranças, anseios, vontades, esperanças e preocupações com a nova fase. Havia me tornado um Bacharel em Comunicação, um Comunicólogo, um Jornalista!

Hoje sou um pós-graduando, já trabalhei em campanha política, em rádio, em agência de publicidade, assessoria de comunicação... Aprendizados, alegrias, tristezas, reconhecimentos e frustrações.

Aqueles sentimentos todos de recém-formado, não se enganem, estão aqui comigo, me acompanham em meus dias e noites, nos trabalhos que faço, nas propostas que recebo, nos convites e oportunidades que espero.

Minha profissão, que tanto amo, prezo e respeito, não é tão bem vista e perdeu algumas batalhas. Hoje, qualquer um pode se dizer um meu colega, um jornalista. Concorrência estranha e surreal no mercado de trabalho. De que valeram as técnicas e teorias que tanto discuti na academia? As aulas de sociologia, filosofia, legislação e tantas outras? De que adiantaram quatro anos de preparação e tantas leituras e pesquisas durante esse tempo e depois?

Poderia dizer que nada significaram, mas não é verdade. Por causa disso tudo, sou um PROFISSIONAL DA COMUNICAÇÃO, capaz de qualquer empreitada na área, de pesquisar os processos comunicacionais, de entender e ajudar a construir a sociedade pelo que se comunica e pelo modo que se faz isso. Sou capaz de questionar o mérito de uma comunicação e ver os fatos de maneira crítica, e além do que é dito, repassar os acontecimentos com o objetivo único de informar, sem obedecer cegamente a uma ordem do patrocínio.

Sou consciente de meu papel profissional e cidadão na sociedade em que vivo e compartilho com os meus pares.

Podem dizer que nada disso é por conta da passagem por uma faculdade, mas quem diz isso ou não viveu aquilo que a universidade proporciona ou sequer por ela passou. Claro que por trás de tudo isso há o ser humano, passível de falhas e incompletudes.

Já ouvi por aí comparações incabíveis com a profissão jornalismo, que a misturavam com medicina ou engenharias. Não gosto e não aprovo. São outros quinhentos, como se diz.

Mas trago outras: será que curiosos e pessoas sem uma formação acadêmica poderiam desenvolver bem o Direito, a Psicologia, a Pedagogia, a Geografia, a Agronomia, a Contabilidade, a Biologia, a Administração, a Educação Física e tantas outras profissões que estão aí no mercado?

Muito pouco provável, a não ser por alguns autodidatas extraordinários, se muito.

Mas... deixemos as lamentações e questionamentos para momentos mais adequados. Por hora, é momento de comemoração. Ergo minha cabeça, encho o peito e digo em alto e bom som: “Sou Jornalista, por paixão e formação!”. Que venham mais e mais aniversários e que a vida nos dê a oportunidade de sempre continuar nessa área tão fascinante, delicada e multifacetada que é a comunicação!

21 agosto 2010

Inspirações

É intrigante como nos deixamos levar e nos impressionar por aquilo que vemos, lemos e ouvimos. Não tenho certeza se acontece com todos, creio que sim, mas já vivi coisas assim e fui testemunha também desse tipo de acontecimento.

A música e a literatura são ótimos para despertar essas coisas, uma certa influência, uma inspiração, para um sentimento ou para a forma que se expressa. Esses dias mesmo, numa dessas noites nuas, fui surpreendido por um legítimo fado português, depois de uma narrativa delirante, e me vi quase num estado de suspensão. Queria apaixonar-me como Estela o fez, sentir o amor sobre o qual a fadista cantava. Uma transmutação instantânea de estado e disposição...

Mas há algo ainda mais fascinante: depois de ler os contos de Yuri e outros que encontrei pelo caminho, minha inspiração, se podemos chamar assim, tomou contornos de micro-contos e as idéias estão a pipocar na mente.

Não é inveja, não tenho a intenção de copiar nada, nem quero me igualar a ninguém. Mas é inegável que minha escrita ganhou uma nova cor, uma nova possibilidade que nunca havia percebido antes. Não sei quanto tempo irá durar, nem se o “produto” dessa inspiração é de fato bom, consumível, ao menos, mas confesso que estou gostando.

Afinal, descobrir-se, redescobrir-se e perceber essas sutilezas, mudanças e nuances é uma deliciosa experiência de todos os dias, uma experiência de vida.

Experimentemo-nos e reinventemo-nos, então, sempre e a cada dia!

18 agosto 2010

A comemoração

Com um beijo apaixonado. Assim começou a noite daquela mulher exuberante, com cheiro de pimenta doce. O beijo de sua namorada. Ela a esperava num bar movimentado no centro da cidade, e estava tão ansiosa pelo reencontro que não percebeu os olhares de desejo e curiosidade que lhe eram lançados.

Só lhe interessava ver a amada depois de uma semana atribulada em que apenas se falaram pelo telefone. Ambas eram bem sucedidas e tinham uma rotina apertada por conta das profissões e compromissos.

Aquela noite seria a comemoração do primeiro ano que completavam juntas. Depois da chegada de sua companheira e um beijo intenso, em público mesmo, que chocou um e outro desavisado e despertou desejos nos mais libidinosos, partiram as duas para a comemoração.

A programação começaria com uma peça musical que estava em cartaz, não esses musicais adolescentes: uma história de amor, traição e reencontros. Dali, partiriam para um jantar romântico, intimista, no mesmo restaurante em que foram pouco menos de um ano atrás, quando estavam se conhecendo. Um encontro com os amigos para compartilharem a felicidade e, por fim, uma noite de amor no melhor hotel da cidade, onde o apartamento já as esperava com pétalas de rosas pelo chão e sobre a cama, champanhe, vinhos, queijos, chocolates e outros pequenos pecados culinários escolhidos com capricho... que nunca seriam degustados por elas.

Ao saírem do bar, poucos passos felizes pela calçada e um carro foi ao encontro das duas. Tão rápido tudo aconteceu, e mais rápida ainda foi a fuga. Sem placa, pistas, motivos...

E a noite terminava assim: sem comemorações.

16 agosto 2010

Balé no céu

E numa dessas noites de agosto, chamado por muitos de mês do desgosto, fiquei no sereno à esperar de ver a chuva de meteoros, aquela tal aparentada de Perseu..

Talvez meus olhos míopes, mesmo com óculos, não tenham sido capazes de ver tais corpos celestes, ou, quem sabe, eles se esconderam de mim atrás das edificações que ladeiam meu pequeno quintal. Ainda há o ofuscamento que as luzes da cidade causam ao céu urbano... vá saber... Talvez eu até os tenha visto, mas não os tenha enxergado...

Contudo, a noite não foi em vão... enxerguei um espetáculo belíssimo que talvez ninguém mais tenha notado: um balé de estrelas estáticas e nuvens inquietas pelo vento e suas brisas...

Lá longe, no alto do céu, as estrelas brincavam de esconde-esconde e pega-pega com as nuvens amarelas pelas luzes da cidade... Parecia haver música embalando e ensinando passos, ritmos e piruetas!

Um espetáculo sem igual, que poucos, se alguém além de mim, já prestigiaram e reconheceram a beleza...

Mesmo sem a tal chuva de meteoros, sei que presenciei espetáculo sem igual... e sou feliz por isso... e agora que escrevo, um pensamento me martela os botões e o uso para terminar essa escrita:

Nas coisas mais simples e corriqueiras é que se encontra a verdadeira beleza.

13 agosto 2010

O apaixonado

Olhou para ela sem pudor, sem disfarces.

Era ela, aquela mulher, o objeto maior de seu desejo. Ele tinha certeza que aquela era a criatura pela qual esteve esperando por todos esses anos, e lá se iam mais de três décadas, para não dizer quase quatro.

Quantas noites ébrias afogando as mágoas por ainda não ter aparecido tal anjo em sua vida, quantas tentativas erradas e frustrantes, quantas desilusões.

Mas agora era diferente. Ele acreditava nisso, sentia isso. Aquela mulher era especial, seria ela a rainha de seus dias. Aquela luz, aquela beleza, uma áurea de mulher fatal e os olhos de menina inocente... contradições, mistérios... um convite para mergulho em alma profunda, com riscos de não mais emergir. Mas ele estava disposto a todos os riscos, todas as apostas.

Aquela mulher seria sua, a qualquer custo. E lá foi ele em busca de seu tesouro precioso em forma de mulher.

Poucos passos... já sentia o seu perfume de pimenta doce, exótico... quis curtir um pouco mais a sensação, pensar em qual seria a melhor maneira de chegar à tal vislumbre de mulher...

Tudo decidido, passo firme, atitude confiante, sorriso no rosto e...

“Peraí! Que porra é essa?!”

Um sonho destruído... era isso! Antes que ele pudesse dizer um “Oi” à sua mais nova amada, algo inesperado paralisou o pobre homem... Um beijo, ardente, mas com um carinho que só as namoradas sabem demonstrar, entre ela, a amada, e outra mulher...

Foi duro para o eterno Pierrot sem Colombina, e ele parou de pensar no amor... Pelo menos até a manhã seguinte, quando se viu mais uma vez apaixonado por uma desconhecida que atravessava a rua frente ao seu trabalho.

E assim seguia seus dias, apaixonando-se e reapaixonando-se a cada e todo dia...

09 agosto 2010

Pretérito perfeito

Entorpecido pelo sono de uma noite não dormida,
me pego pensando no passado, nos beijos de despedida,
nas palavras de amor e ódio que (não) foram ditas
e até mesmo nas coisas há muito esquecidas.

Um misto de saudade, nostalgia...
Vontade de sentir as mesmas alegrias.
Recordo dos momentos de empolgação, de euforia
Quando festas e comemorações eram o que mais se via.

Esse tempo passou, deixou lições e memórias...
No coração, as amizades; na mente, as histórias!
E espero que seja a base para um futuro de glórias,
que todos, lá na frente, protagonizemos vitórias

O desejo de voltar no tempo permanecerá,
mesmo sabendo que o futuro incerto virá.
As lembranças e amigos, faço questão de guardar,
para sempre que precisar, poder voltar.

Voltar ao tempo e lugar em que era feliz e sabia disso.

08 agosto 2010

Caminho das letras

Quais são os caminhos para a escrita?

Conversava com um amigo, meu irmão, e disse que precisava retomá-la, a minha escrita, ou me abrir para ela novamente.

Já não tenho certeza qual é o caminho mais correto para essa relação.

Sou eu, ou a figura do escritor ou de quem quer escrever, que deve buscar um estado criativo, de inspiração? Ou o contrário: as palavras é que têm de vir ao nosso encontro?

Por vezes sou tomado por uma enxurrada de letras, rimas e prosas que não há outra solução senão extravasar no papel. Noutras tantas, parece que busco expressar algo que não sei e as palavras vêm em meu auxílio, atendendo a um pedido meu.

Não sei qual é a dinâmica real dessa relação, o fato é que sinto falta dessa atividade, a escrita, a poesia, a prosa que lançava um colorido mais que especial em minhas horas madrugadas e no dia a dia de uma rotina gris.

05 agosto 2010

umapausanotempoparacontemplaropassado

E de repente, quando menos se espera, uma imagem o remete para um passado nem tão distante assim no tempo, mas com uma carga de sentimentos e um peso tão grande que faz parecer ter o mundo parado e você envelhecido décadas sem perceber.


Por que as coisas têm que ser assim tão passageiras? Por que mudamos tanto e deixamos passar os pequenos e verdadeiros sorrisos, por que não insistimos, buscamos, guerreamos por esses momentos de felicidade delirante... de descoberta, de vontade... de amizade e cumplicidade...


Por que deixamos de ser crianças? De enxergar o mundo e as pessoas como elas o fazem...

Ah, doces ilusões e divagações... não há o que escrever mais para o momento, retiro-me, junto com as reminiscências de minha memória e a vontade de ver o mundo com mais cores e risos...

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