11 dezembro 2008

Há um ano

Há um ano...
...não trocamos telefonemas
...não trocamos e-mails
...não contamos nossos problemas
...não trocamos conselhos
...eu sinto saudades
...não ouço sua risada gostosa
...não me preocupo com a falta de notícias
...não faço planos de visitá-lo

Há um ano perdi um grande amigo: a morte o levou. Com seus 26 anos a morte o quis para si e o levou. Não foi um período fácil, o câncer já havia o transformado, já o havia enfraquecido, já nos dava o sinal dessa grande perda.

Não pude vê-lo nos últimos momentos em que estava sobre a terra, mas creio ter sido melhor assim, pois, dessa forma, pude conservar somente as boas lembranças, os momentos de alegria, e até mesmo os momentos de fraqueza, mas que eram logo superados, pelo menos a maioria deles.

Não digo que não tinha defeitos. Ele os tinha, sim! Quem não tem?! Mas as qualidades eram tantas e o sorriso era tão franco e luminoso que a gente esquecia tudo isso. Inteligentíssimo, genioso, impulsivo, teimoso, às vezes até bruto. Mas uma grande pessoa, que faz falta, muita falta.

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Não choro mais a tua partida, Pedro Peixinho. Chorei uma vez e nada mais que isso. Sei que não gostavas de me ver abatido ou triste. Sei que gostavas de me ver forte e talvez por isso confiasse tanto em mim, pelo menos é o que acreditava.

Sinto tua falta todos os dias, mas a dor já inexiste. Ela foi superada por uma verdade: desde que nos conhecemos fomos amigos, mais que isso, irmãos. Vivemos a amizade de forma verdadeira e intensa, nos preocupamos (eu mais que você), nos ajudamos, comemoramos bons momentos, vivemos boas histórias e tudo isso está na memória e aquece o coração.

Quem sabe não nos encontremos numa outra vida, acaso elas existam?! Quem sabe já não nos encontramos em vidas passadas?! Quem sabe quais as lições que tínhamos você e eu para aprendermos nessa tão louca vida aqui na Terra!?

Espero que tenhas aprendido tuas lições e que nessa tua passagem tenhas evoluído.

No mais, fica a eterna lembrança em meu coração e a certeza que, acaso sejam os desígnios do Grande Mestre, um dia nos encontraremos novamente.

Um abraço forte, muita paz, muita luz e até um dia, talvez...

04 dezembro 2008

Preconceito sob o vestido rosa choque

Há algum tempo, havia uma campanha publicitária que perguntava “onde você guarda seu preconceito?” ou algo do gênero. Pasmem: descobri que ele se esconde até em meninas num vestido rosa choque de bailarina! É triste, mas é verdade!

Não sei o que motivou àquela menina, bailarina de rosa choque, deve ter lá seus 10 anos... talvez um exemplo trazido de casa, visto na TV, na escola... talvez não tenha aprendido em lugar algum... talvez...

AH! Já não me interesso em saber!

Parecia uma menina inocente... até abrir a boca.

O Ocorrido - Dois atores ensaiavam suas personagens, sem incomodar, sem agredir, sem fazer mal a ninguém. E eis que surge a bailarina, que sutilmente pergunta: “Ô, seus gays, como faço pra chegar à porta tal?”. Quem ouve (ou lê) desavisado, pode até pensar com graça “como é espirituosa essa menina”. Mas, NÃO! Não foi uma coisa ingênua, foi PRECONCEITO!

Digo isso porque não parou por aí! Numa nova passagem dela pelos atores, mais uma pérola largada: “Tchau, boiolas!”. Não creio que haveria um adulto tão $#@$%#$%$#$%% a ponto de incitar a menina a fazer isso! Partiu dela, daquele rostinho aparentemente ingênuo, de coque e vestido de bailarina! E não foi ninguém que contou a mim, eu vi e ouvi, eu presenciei a cena. Até mesmo porque era eu quem orientava os dois atores.

Aqui sou obrigado a fazer duas considerações, uma a favor da menina, outra contra. A primeira é o fato de um dos atores estar vestido de mulher, com salto, peruca e vestido, afinal, sua personagem é mesmo uma mulher, assim como a do outro ator, que não estava travestido. A segunda é o fato de a menina já saber o motivo de ele estar travestido: ela havia perguntado numa oportunidade anterior ao momento em que soltou a primeira pérola e lhe foi explicado que eram atores ensaiando para uma peça.

Se os atores são ou não são homossexuais não é da conta de ninguém, e mesmo que sejam não devem ser julgados por isso. Ainda mais no exercício de um trabalho, e ressalte-se, com arte, esse mundo tão heterogêneo e que se diz livre de preconceitos!

Fiquei revoltado ao presenciar essas cenas... revoltado com a menina, com os pais da menina, com a professora de balé, com a escola em que ela estuda, com os parentes todos da menina, até comigo mesmo, que não fui capaz, ao ver surgir [do que se diz ser a fonte da ingenuidade] um ato de tamanha falta de respeito e educação, de repreendê-la ou procurar a responsável por ela e clamar por bom senso, educação e humanidade.

Mas a revolta nada mais era que uma tradução do horror e da dor que senti ao ver aquela linda bailarina de olhos brilhantes, com vestido rosa choque, coque no cabelo e sapatilhas de balé cometer ato tão violento.

Era a tradução do horror e da dor que senti ao ver que a beleza infantil e despretensiosa daquela bailarina era a portadora e a anunciadora do preconceito.

Era a tradução do horror e da dor que senti ao me lembrar que o mundo é mal e que transparece até mesmo na voz de uma menina com vestido rosa choque.

Era a tradução do horror e da dor que senti ao relembrar bruscamente que a sociedade é hipócrita, no pior dos sentidos, e que relembrei isso por conta de palavras (talvez) inocentes de uma linda menina, bailarina de rosa choque, que deve ter lá seus 10 anos...
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