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Ele não está pronto

Por algum tempo, segurei a caneta em minha mão e deixei o caderno a minha frente...
Mas logo desisti: constatei que nada tinha a escrever.

Não.
Tinha sim.E tenho!

Mas algo que ainda não tomou forma, não sabe como deve ser. Quando chegar o tempo correto, forma, cor e contornos ele terá.

Enquanto este momento não chega, esperarei e me resignarei em não escrever. Deixo de lado a caneta e o papel. Mas não fora do alcance de minhas mãos, pois nunca se sabe o que pode surgir nas horas madrugadas, nos dias quentes da primavera ou nas noites estreladas do planalto da conquista.

Um de ida, três de volta...

Como é fácil acusar o outro!

Fico assustado, por vezes, em como algumas pessoas têm o dom, a capacidade ou o desplante de acusar e culpar e apontar isso e aquilo nos outros na primeira oportunidade que surge.

Nessas horas o conhecimento popular é certeiro: macaco senta no próprio rabo pra falar do rabo alheio.

Por vezes incontáveis, vi alguém apontando ou elencando vários defeitos de fulano, beltrano e cicrano. Mas se esse alguém falasse para um espelho não poderia ter feito descrição melhor de si mesmo.

Ainda chego a me perguntar se essas pessoas têm consciência das coisas que falam e fazem com tanta propriedade da razão.

Não posso dizer que sou livre de fazer julgamentos e criar rótulos para os outros. Mas tento, o máximo possível, deixá-los só para mim.

Há que se entender que as pessoas são diferentes, agem de modos particulares e tem uma bagagem que é única, uma experiência de vida exclusiva. Não cabe a mim, nem a ninguém, dizer se fulano é bom ou mal, pelo menos não sem conviver com ele. O que enxerguei como grande defeito, pode ter sido apenas uma distração, um ato inocente, um nada para a conduta e os valores dele.

E pode ser mesmo intencional, com intuito calculado por trás de cada gesto e palavra. Mas quem sou eu para julgar os outros? E ainda mais: quem sou eu para querer puni-los, ser a voz da razão?

Viva e deixe viver: é a receita!

P.S.: Antes de apontar um dedo para o outro, vigie para onde os outros dedos estão indicando...

Pausa e movimento

Escritos ao som da música “Toda vez”, de Luiza Possi

Volto ao mesmo lugar de sempre! Ao dispor de brisas e tempestades, como deve ser...
Por mais que fique algum tempo sem escrever, não deixo morrer essa chama.
É certo que meus escritos são inconstantes, mas por que há de se reclamar!?
Não escrevo por obrigação, não aqui. Escrevo por clamor de minh’alma...
Ela andava inquieta, não nego... e continua inquieta...
Acho que a inquietação é o melhor estado em que se pode estar.
Pois na inquietação estamos mais atentos a tudo, capazes de nos deixarmos surpreender
Capazes de sermos novamente crianças em dados momentos
Capazes de aproveitar melhor cada segundo que vivemos
E ansiar pelos próximos mil
E remoer todos os milhões que já experimentamos...
Deles tiramos lições e aprendizados, ou notamos como fomos patéticos
Há aqueles que nos dão saudades, outros queremos esquecer...
Mas assim é a vida!
Se fosse sempre do jeito que quiséssemos, seria um tédio.
Só sei que devemos partir sem pensar na volta e voltar sem fazer planos
Assim é mais gostoso e assim vou vivendo!
Desfrutando os momentos que são todos meus e só meus... rs

[Não ao panis et circensis] Sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalismo.

Muito se fala sobre a (não)obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. O assunto é polêmico e já figurou algumas vezes na pauta das reuniões do Supremo Tribunal Federal, sempre sendo protelada tal discussão e decisão. A próxima data para o julgamento da manutenção ou suspensão da obrigatoriedade é o dia 17 de junho, quarta-feira.

A vontade/necessidade de falar sobre esse tema neste espaço surge do interesse direto que tenho, como jornalista graduado, em saber qual rumo essa história vai tomar. No entanto, tentarei deixar o lado jornalístico de escanteio e me colocar como cidadão, como ‘consumidor’ das notícias, como observador da sociedade.

Não vou comparar a profissão jornalismo com outras tais como a medicina, arquitetura e tantas mais. Já é um discurso batido e, talvez, sem muita valia. Buscarei ressaltar os motivos pelos quais acredito ser válida a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão e os benefícios que a mesma traz consigo.

Primeiramente, jornalismo é muito mais que escrever bem, ter boa voz, aparecer bem no vídeo ou saber se comunicar. É um compromisso com a sociedade, com a liberdade, com a democracia, com a verdade. Podem dizer que isso não se aprende na faculdade. Quem sabe tenham razão, mas é na Academia que se tem os primeiros contatos com esses valores, que se conhece a história, os preceitos, as práticas, os métodos, as conseqüências da atividade jornalística. Claro que a teoria sem a prática não vale por si só. Mas o que seria da prática sem a teoria, sem conhecimento? Seria apenas reprodução, cópia, plágio, ’achismo’, sem crítica, sem objetivo, sem base.

Argumentam que um diploma não faz de ninguém um bom jornalista. Em termos, é verdade. Há muitos bons profissionais da comunicação que não têm experiência acadêmica, mas que trazem na bagagem anos e anos de prática em redações. Esses profissionais merecem respeito e são lições. Mas, sem a obrigatoriedade, quantos e quantos oportunistas e apadrinhados políticos, financeiros e econômicos não seriam beneficiados? Já pensaram nisso?

As empresas e os empresários da comunicação terão muito mais liberdade para tentar ludibriar o expectador, o receptor de seu conteúdo. Afinal, se eles puderem colocar quem bem entenderem, o que garante que não farão disso uma ferramenta para proveito próprio? Não digo que não haja isso com a obrigatoriedade, mas quem passa quatro anos numa faculdade, geralmente, aprende o valor da profissão e do papel que desempenha na sociedade, de comunicador, de formador de opinião. É certo que há instituições medíocres de ensino, mas, mesmo essas, conseguem despertar um algo crítico em seus estudantes.

Puxem pela memória a quantidade de escândalos políticos trazidos à tona por conta de um bom trabalho de jornalismo investigativo, lembrem-se das matérias que mostram uma realidade que muitos tentam camuflar, sobre atuação policial, fraudes no governo, crimes ou graves contravenções praticados por grandes empresas ou pessoas de renome. Mas tudo isso feito por sérios profissionais, embasados na ética da profissão, em métodos, por estudos científicos.

Há registro de erros cometidos por jornalistas graduados? Sim, claro! Assim como de erros médicos, arquitetônicos, químicos, de engenharia. Errar é parte da natureza humana, mesmo daqueles seres os mais preparados. Agora, imaginem se a atividade é feita por alguém que não entende ou não foi qualificado para tal, a probabilidade de dar errado é multiplicada inúmeras vezes.

Poderia escrever mais 3, 6, 9 mil caracteres a respeito do tema, mas aí ninguém me leria, se é que leram o que escrevi até aqui. Mas acho que já deu pra ter uma boa idéia dos benefícios da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalismo

Se tiver algo a comentar, a favor ou contra, lançar outra idéia, apresentar fatos, deixe um comentário. É muito bem vindo neste espaço!

E que vença a obrigatoriedade, para que tudo não se torne panis et circensis [no pior dos sentidos]!

Tudo Muda

Hoje me lembrei repentinamente de um música, cuja letra faz muito sentido: Como uma onda, por Lulu Santos. A parte que mais me veio à mente foi

“tudo muda o tempo todo no mundo
não adianta fugir
nem mentir pra si mesmo agora...”

E é bem verdade! Tudo muda o tempo todo no mundo: a sociedade, as pessoas, a programação da tv, as tendências de comportamento, os produtos no mercado, as tecnologias, as amizades, os gostos alimentares, os amores, os destinos, os senhos, os desejos.

Nada é completamente estático. Nada é eterno. Infelizmente, em alguns casos...

Gostaria de poder manter os laços de amizade que um dia construi com todos que passaram pela minha vida. Mas as pessoas mudam, se afastam, encontram outros interesses, ou deixam de encontrá-los em nós.

Mas devemos seguir, nesse indo e vindo infinito, como uma onda no mar.

Espero, sinceramente, alcançar praias mui agradáveis nos caminhos que seguir, e quem sabe voltar a boas praias pelas quais um dia passei e me encontrar novamente com as boas sensações que experimentei em companhia de muitos. Mesmo sabendo que nada do que foi, será. Mas a esperança é uma das poucas coisas que não devemos abandonar ou deixar sucumbir.

De resto, é seguir em frente, em busca da tanta vida que há para se viver!
 
TNB