30 maio 2010

Amor que sobra ou que falta?

Eu me pergunto que tipo de amor é esse que faz as pessoas cometerem loucuras. Será que isso é mesmo amor?

O que leva uma pessoa a querer tirar a própria vida sob o pretexto de amar?! Para mim, isto é algo que não consigo racionalizar, se é que possa ser feito.

Partilhar alegrias e tristezas, comungar de momentos de entrega e prazer, construir algo juntos... tudo isso é fantástico e faz com que queiramos viver em prol do outro, para a nossa própria felicidade, faz com que queiramos, de todas as maneiras, proteger quem amamos e ajudá-lo a ser feliz, a conquistar seu espaço.

Só que por algo inexplicável, para algumas pessoas, quando se encerra um relacionamento, o mundo desaba de tal forma e a dor da ‘perda’ é tão grande que eles não enxergam outra maneira de sair dessa situação, a não ser parar de viver, literalmente.

Será amor demais ou amor-próprio de menos?

Fico com a segunda opção. Quando não nos aceitamos ou amamos, acabamos por delegar esta função a outros: reconhecer e precisar de nossa existência. Se essa relação acaba, já não existimos nem temos razão para isso.

E diante deste tipo de situação, creio, com mais intensidade, que o amor mais importante é o amor-próprio.

É por causa dele que somos capazes de nos reconhecermos enquanto pessoa, é ele que vai permitir que nos conheçamos, que saibamos nossos limites e que mudemos quando for necessário. E o mais importante, que consigamos viver por nossa própria conta e risco, sabendo que mesmo num relacionamento intenso e interdependente, há duas existências. São duas pessoas partilhando suas vidas, duas vidas construindo uma história, e não uma vida única e inseparável.

Tudo que existe, inexoravelmente, pode ter um dia vir a acabar. Mas nós não precisamos ou devemos morrer também. Por mais que se tenha vivido, há ainda muito a se viver, muitas pessoas hão de passar por nossas vidas e muitas lições hão de ser aprendidas.

Pode ser uma visão irreal e utópica a que eu proponho e acredito e posso eu mesmo me contradizer logo ali a frente. Quem controla o futuro obscuro, não é mesmo?

Em resumo, creio que todos devem viver em prol daqueles a quem querem bem, mas sem nunca se esquecer de viver e realizar coisas em prol de si mesmos.

O amor próprio é que nos possibilitar amar verdadeiramente à outra pessoa, afinal, como podemos gostar de alguém se não temos esse sentimento por nós mesmo...?!

Fica aí um assunto para se pensar...

Até a próxima!

23 maio 2010

Se entregue

Não tenha medo das palavras, menina
Elas não são tuas inimigas
Pelo contrário, te convidam pra uma ciranda
Ciranda de roda, sentimentos, sentidos

Deixe que a caneta vagueie pelo caderno
Que os dedos dancem sobre o teclado
Deixe ao comando da emoção
Derrame teu sentir nas linhas e pixels

Deixa-te conhecer por meio das palavras
Seja você mesma por entre as entrelinhas
Grite ao mundo teus versos mudos
Dê forma ao teu martírio, teu delírio

Não goste ou desgoste, apenas sinta
Se houver sentimento e verdade
Será belo, mesmo que cruel
Será intenso, mesmo que sutil

Poesia é libertação
Exercício de conhecimento
Vontade de expressão
Liberdade de alma

Mas não se acanhes se fores da prosa
Conte teus causos, medos e inseguranças
Dê-nos vontades e questionamentos
Brinde-nos com tua alma transbordante

Nessa dança entre vogais e consoantes
Siga o ritmo que mais agrada teu coração
Que mais aquieta tua mente, não importa...
O primeiro passo é se entregar.

22 maio 2010

Etéreos momentos

De todos os corpos que pude tocar e que me tocaram, sem dúvidas, o teu foi o que mais me desnorteou os sentidos. Já não era eu, e sim um teu servo, ao simples dispor de teus caprichos.

Já não mais controlava meu corpo, pois ele pertencia só a ti e só às tuas vontades reagia. Havia uma corrente de excitação e desejo que unia nossos delírios de prazer.

Um estava completo no outro e só isso bastava para que nossa exaustão fosse um pleno sinal de alegria.

Sem forças, mas realizados... uma aura de carinho, cuidado, desejo e satisfação misturava os nossos suores.

Aromas diversos e deliciosos preenchiam o ambiente e suas formas e contornos me hipnotizavam. E a vontade de que aquele momento paralisasse como estava e que nada mais existisse para atrapalhar.

Uma visão que nem merecia ser realidade... e, de fato, não era.

13 maio 2010

Retomando o leme!

[Mesmo não aparecendo muito por aqui nos últimos tempos, ainda tenho escrito algumas coisas em meus cadernos aqui nas horas madrugadas... e este texto surgiu há umas duas ou três semanas... acho que vale a pena postar... e aos pouquinhos vou voltando para cá também, afinal, este é quase meu diário de bordo... enjoy!]

Às vezes, por circunstâncias que nem nós mesmos entendemos ou gostamos, nos deixamos levar pelos acontecimentos e nos tornamos espectadores de nossas próprias vidas. Passamos a ser um sujeito passivo e os fatos nos enredam e seguimos assim, levados por construções que não são nossas.

Mas chega um momento em que nos vemos à deriva, sem saber para onde seremos carregados, ou pior: sabendo que não irá se chegar a lugar algum. Deixei-me guiar algumas vezes nessa minha curta vida, fui fraco, acreditei em quem não era digno de confiança e me entreguei sem muitas ressalvas, por vezes fui preguiçoso e acomodado.

Me vendo assim, observo que é hora de retomar algumas coisas e comportamentos e dar um basta em certas situações, que nada agregam ou que me prejudicam. Começo uma fase de retomada de rédeas, destinos e caminhos.

Quero, ao final da jornada, ter a certeza e que fui eu quem guiei minha embarcação, eu que domei as velas que se insurgiam contra mim ao sabor das tempestades. Afinal, só teme o escuro quem não sabe o poder da luz, e a luz é o que me norteia, é onde eu quero estar e o que quero ser.
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